Seminário IA: Conticom defende incluir qualificação profissional nas convenções
Evento reuniu dirigentes do Macrossetor Indústria da CUT e especialistas para discutir os fundamentos, riscos e oportunidades da Inteligência Artificial no trabalho e nas negociações coletivas
Publicado: 27 Maio, 2026 - 16h00 | Última modificação: 27 Maio, 2026 - 16h14
Escrito por: Redação CONTICOM | Editado por: João Andrade
A Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira da CUT (Conticom) defendeu, durante sua participação no seminário “Inteligência Artificial (IA) – Desafios à Negociação Coletiva”, a inclusão em convenções e acordos coletivos de trabalho do treinamento e da requalificação de profissionais que serão impactados pelo avanço da Inteligência Artificial no mundo do trabalho.
O evento, promovido pelo Macrossetor da Indústria da CUT (MSI) nos dias 25 e 26/5, reuniu dezenas de sindicatos de todo o país ligados às confederações cutistas dos ramos da Construção Civil (Conticom), Vestuário (CNTRV), Químicos (CNQ), Metalúrgicos (CNM), Alimentação (CONTAC) e Energia (Sinergia).
“O avanço da mecanização, acompanhada pela IA, traz impactos importantes no número de vagas na construção civil, e por isso temos conversado com nossos sindicatos no sentido de trabalhar muito essa questão do retreinamento e da requalificação dentro do processo de convenção coletiva. Temos de debater como vamos compensar essas perdas de empregos”, disse Cláudio Gomes, presidente da Conticom-CUT.
O seminário, realizado em parceria com a Fundação Friedrich Ebert (FES), IndustriAll, Dieese e Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento (TID Brasil), reforçou a necessidade da participação sindical na definição de regras para proteger trabalhadores diante do avanço da IA no processo produtivo industrial.
Formação continuada
Coordenadora do MSI-CUT e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ramo Vestuário (CNTRV), Cida Trajano destacou que o seminário busca ampliar o conhecimento dos dirigentes sobre um tema que já impacta a realidade da classe trabalhadora.
Segundo ela, a proposta é que o debate sobre Inteligência Artificial tenha sequência ao longo de 2026 e 2027, formando dirigentes sindicais capazes de compreender os impactos da IA sobre diferentes categorias profissionais.
“Precisamos reforçar a necessidade de que o movimento sindical se aproprie do debate sobre Inteligência Artificial para atuar de forma mais qualificada nas mesas de negociação coletiva. Esse seminário nos trará conhecimento, dados e relatórios para trabalharmos com mais companheiros e companheiras nas mesas de negociações e no dia a dia”, afirmou.
Controle dos rumos da IA
O professor Marcelo Graglia, que abriu a primeira mesa do seminário com o tema “IA: conceito, oportunidades e ameaças”, destacou que um dos principais desafios do movimento sindical diante do avanço da Inteligência Artificial é combinar formação, negociação coletiva e pressão por regulação, evitando tanto a rejeição automática quanto a adesão acrítica à tecnologia.
Graglia, que é professor da PUC-SP e do Observatório Brasileiro da Inteligência Artificial (OBIA), afirmou que o primeiro passo é ampliar o conhecimento dos trabalhadores sobre o funcionamento da IA, seus benefícios e riscos.
Para o pesquisador, o desafio colocado ao movimento sindical é disputar os rumos da tecnologia para que ela não amplie desigualdades e precarização. Ele também defendeu que as entidades sindicais atuem na qualificação profissional dos trabalhadores.
O Seminário também contou com a participação do advogado trabalhista Nilo Beiro, da LBS Advogadas e Advogados e do Instituto Lavoro, da vice-presidenta da CUT, Juvândia Leite, da representante do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Paula Montagner, e das especialistas em Recursos Humanos, Tábata Leal e Camila Almeida, do conselho gestor do Arranjo Produtivo Local - RH do Consórcio do ABC, e Gustavo Monteiro, do DIEESE.
Batalha no Congresso
A regulamentação da Inteligência Artificial no Brasil vive um momento decisivo no Congresso Nacional. O pilar central dessa discussão é o PL 2338/2023 (o Marco Legal da IA), que já foi aprovado pelo Senado e está em análise na Câmara dos Deputados por meio de uma Comissão Especial.
Um dos debates centrais é a garantia de direitos humanos, civis e trabalhistas em um futuro em que a Inteligência Artificial se fará presente em todos os setores produtivos. Vigilância e controle da privacidade dos trabalhadores e trabalhadoras, discriminação racial e de gênero, homofobia, xenofobia em contratações ou avaliações relacionadas aos recursos humanos, substituição de mão de obra por robotização guiada por IA, entre outros fatores de alto risco, são questões em debate.
“Não somos contra as novas tecnologias, mas não queremos viver num mundo onde os trabalhadores e trabalhadoras sejam submetidos às máquinas. A nova revolução industrial precisa estar conectada com a necessidade humana de trabalhar menos, ter mais direitos, mais saúde, salário justo e condições de vida cada dia melhores”, finalizou o presidente da Conticom.

