Durante evento realizado em Belém (PA), confederação propôs que processo de certificação da ONG leve em conta compromisso com direitos trabalhistas e mobilização das pessoas do local explorado
A Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira da CUT (Conticom) defendeu os trabalhadores e as comunidades dos locais exploradas durante sua participação na edição 2026 da Assembleia Geral do FSC-Brasil, escritório nacional da ONG internacional dedicada a certificar produtos oriundos de florestas com manejo responsável.
Com o tema “Raízes que sustentam o futuro”, o evento realizado entre os dias 12 e 14 de agosto, em Belém do Pará, reuniu membros das câmaras Ambiental, Social e Econômica da FSC-Brasil – a Conticom-CUT integra a Câmara Social. A programação contou com debates sobre a expansão do FSC, o valor das florestas para o clima e a sociedade, as conexões que geram impacto e o papel da governança na construção do futuro do FSC.
“É preciso destacar a importância da participação do movimento sindical dentro da Câmara Social como forma de trazer o direito do trabalhador para pauta do FSC e, assim, garantir que esses direitos não sejam violados pelas empresas certificadas”, afirmou Eunice Brito, presidenta representante da Câmara Social do FSC-Brasil.
Amanda Andrade, presidenta do conselho do FSC Internacional, reforçou a importância da presença das representações de trabalhadores, destacando que “a certificação tem como um dos seus pilares o respeito aos trabalhadores, aos seus direitos, ao seu bem-estar, e à sua saúde”.
Luizinho, diretor da Conticom-CUT, junto a Amanda Andrade (esq.), do FSC-Internacional, e Eunice Brito, do FSC-Brasil
Representatividade x direitos
De acordo com Luiz Carlos de Queiroz, o Luizinho, vice-presidente Conticom-CUT, um dos pontos importantes da Assembleia foi o crescimento da bancada e da representatividade da Câmara Social, que recebeu integrantes de comunidades quilombolas para se juntarem às representações de sindicatos, federações e confederações, além de indígenas e ribeirinhos.
“A representatividade é muito importante porque o critério de certificação tem que ser debatido nas três câmaras. A Conticom se faz presente porque sabemos da importância de defendermos nossas posições. Especialmente para que essa certificação seja uma aliada à luta sindical por melhores condições de vida e trabalho das pessoas impactadas”, disse Luizinho.
O dirigente defendeu ainda em suas intervenções que esse processo de certificação também promova a mobilização das comunidades para que os benefícios não sejam garantidos apenas enquanto acontece a exploração de uma floresta ou uma empresa está instalada no local.
“Como ficam os trabalhadores e a comunidade quando, por exemplo, uma empresa termina sua atuação no local? Temos que também pensar no ‘pós’ e, para isso, é preciso garantir que essas pessoas estejam mobilizadas”, defendeu Luizinho.
Conheça o FSC
O FSC (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal) é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que promove o manejo florestal responsável, ecológico, socialmente justo e economicamente viável nas florestas do mundo. O FSC Brasil é o escritório nacional do FSC Internacional.
A principal ferramenta do FSC para cumprir sua missão é a certificação florestal, concedendo um “selo verde” a produtos de origem madeireira (como móveis e papel) e não madeireira (açaí, castanhas) que vêm de áreas manejadas de forma sustentável.
Essa certificação do FSC assegura ao consumidor que a matéria-prima não contribui para o desmatamento ilegal e respeita as leis trabalhistas e as comunidades locais.
Esse processo de certificação é baseado num modelo de governança tripartite que reúne de forma igualitária em três Câmaras (Social, Ambiental e Econômica) os debates e decisões dos interesses desses grupos.