Escrito por: Redação CONTICOM

Construção industrializada: Conticom-CUT defende incentivo à qualificação de jovens

Presidente da Confederação apresenta ao governo federal demandas dos trabalhadores do setor em reunião preparatória para formulação da Estratégia Nacional da Construção Industrializada (ENDCI)

Divulgação
Método industrializado de construção exige mão de obra especializada, com menos gente nos canteiros

A Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira da CUT (Conticom) participou no último dia 5 de fevereiro de uma reunião preparatória para a formulação da Estratégia Nacional da Construção Industrializada (ENDCI), um projeto que objetiva tornar o setor mais produtivo através da adoção de métodos construtivos industrializados.

Além de Cláudio Gomes, presidente da Conticom-CUT, participaram do encontro promovido pelo gabinete da Vice-Presidência da República representantes de outras entidades nacionais de trabalhadores da construção e técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Para Claudinho, a iniciativa de chamar a representação dos trabalhadores é considerada inédita e muito importante para a modernização e incremento dos empregos no setor da construção.

“Temas dessa natureza sempre foram discutidos somente entre governo e empresários, e esta iniciativa do gabinete da Vice-Presidência rompe com essa prática. A ENDCI é uma política pública de interesse dos trabalhadores, uma vez que mexe muito com a relação do trabalho na execução das obras”, explica o presidente da Conticom-CUT.

 

Formação como prioridade

Na reunião, Claudinho voltou a reforçar sua defesa enfática da importância da formação profissional para um futuro cenário de transição do modelo atual para um que adote métodos construtivos industrializados.

“Esse novo cenário mais industrializado pressupõe o uso de tecnologias avançadas que demandam mão de obra mais especializada, com menos gente nos canteiros e mais trabalhadores em linhas de produção dentro da fábrica. Tudo isso impacta o mercado de trabalho, exigindo trabalhadores mais jovens e preparados tecnologicamente”, explica o dirigente.

Claudinho sugeriu que essa política de governo considere, além da disponibilidade dos recursos financeiros e incentivos às empresas, investimento na formação de trabalhadores, considerando a intersetorialidade das ações necessárias no âmbito do governo e nas escolas de ensino do nível médio, superior e centros de formação profissional.

“É fundamental que sejam feitas ações de busca e direcionamento de jovens nas escolas para que sejam vocacionados para a atividade da construção, oferecendo formação e criando ambiente de trabalho atrativo e bem remunerado”, disse.

 

Desafios estruturais

Segundo o governo, a formulação da ENDCI é considerada essencial como forma de aumentar a produtividade, reduzir custos, melhorarar as condições de trabalho e fortalecer a cadeia produtiva nacional do setor da construção a partir da identificação dos seus principais desafios estruturais.

Dentre esses desafios estão o elevado déficit habitacional e de infraestrutura, a baixa produtividade média do setor e a crescente escassez de mão de obra qualificada, associada ao envelhecimento da força de trabalho.

As discussões iniciais para a formulação da Estratégia Nacional da Construção Industrializada estão organizadas em quatro pilares principais:

A Vice-Presidência explica que essa reunião preparatória teve por objetivo ouvir as demandas dos trabalhadores para alinhar entendimentos entre os principais atores envolvidos no ENDCI (governo, empresários e trabalhadores), além de antecipar contribuições técnicas e organizar os principais pontos de convergência.