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João Pessoa: Trabalhador terceirizado de 22 anos morre soterrado

10/01/2019

Outros 2 ficaram feridos. Das 3 vítimas, 2 são trabalhadores jovens

Escrito por: Redação CONTICOM

Nesta terça, 8, mais um trabalhador da Construção perdeu a vida enquanto desenvolvia suas funções na região metropolitana de João Pessoa, região nordeste do país. De acordo com informações do corpo de bombeiros, o jovem Ray Severiano Lopes, que estava prestes a completar 22 anos, morreu soterrado. Dois de seus companheiros também estavam dentro da vala e tiverem vários ferimentos. De acordo com matérias publicadas nos veículos de comunicação, a polícia constatou irregularidades na obra.

 

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Pesada, Montagem e do Mobiliário de João Pessoa e região, filiado à CONTICOM/CUT, acompanhou o caso. "O acidente aconteceu por falta de iniciativas da empresa para a proteção coletiva. Não havia nenhum tipo de escoramento na vala que tinha mais de 2 metros de profundidade. Os trabalhadores estavam fazendo limpeza da vala no momento do soterramento", relata Edmilson de Souza,  vice presidente da entidade.

 

Negligência

Para Edmilson, o acidente poderia ter sido evitado. "A empresa foi negligente. Deveria ter providenciado o escoramento da vala. O equipamento individual de proteção não basta. É preciso proteção coletiva nestes casos", alerta.

 


Além das providências jurídicas, o sindicato se colocou à disposição dos familiares das vítimas. "É um momento difícil para a família. Nos colocamos à disposição dos familiares do jovem Ray e dos sobreviventes", ressaltou o sindicalista.

 

Vítimas do trabalho precário

Para a jovem sindicalista e secretária da juventude da CONTICOM, Amanda Trajano, Raí foi mais uma vítima fatal do trabalho precário. Das 3 vítimas do acidente, 2 eram jovens. "O setor da construção emprega muitos jovens sem experiência no setor.  Com a vigência da terceirização generalizada, a situação piorou muito, pois não há nenhum processo de treinamento e as Comissões Internas de Prevenção a Acidentes (Cipas), quando existem, estão desarticuladas. A terceirização e a reforma trabalhista estão aprofundando o trabalho precário no setor da construção. Esta é uma realidade que precisa ser combatida. O que para muitos jovens significa uma oportunidade de emprego, para outros, como Ray, pode representar o fim da vida”, lamenta Amanda.

 

“Governo Bolsonaro vai aprofundar o trabalho precário”, diz secretário de saúde da CONTICOM

A reforma trabalhista e a terceirização generalizada  promoveram o aprofundamento do trabalho precário no setor da construção, contudo,  em menos de uma semana de governo, Bolsonaro aponta para um cenário ainda mais crítico. “O fechamento do Ministério do Trabalho demonstra que a fiscalização não será prioridade desse governo. Além disso ele fará de tudo para fragilizar a ação sindical nos locais de trabalho, já comprometida pela reforma trabalhista. Até mesmo a Justiça do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho estão ameaçados. Bolsonaro vai aprofundar o trabalho precário no setor da construção”, denuncia Aloisio Costa, secretário de saúde e meio ambiente do trabalho da CONTICOM.

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