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CUT defende luta chilena e vê com preocupação COP-25 não ser na América Latina

05/11/2019

Secretário da CUT diz que, apesar dos problemas com o cancelamento da agenda, o mais importante no momento é a luta contra o avanço do neoliberalismo na América Latina

Escrito por: Redação CUT

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Cansados e indignados com a política neoliberal implementada no Chile há mais de três décadas e continuada pelo presidente Sebastián Piñera, o povo chileno não está dando trégua e tem sido protagonista de grandes marchas e protestos das ruas do país nos últimos dias. 

A resistência dos chilenos contra a política de austeridade com retirada de direitos, aumento das tarifas e outras medidas do governo, que tem aumentado a desigualdade social, concentração extrema de riqueza, corrupção, precariedade da saúde, educação e do sistema previdenciário, foi a justificativa de Piñera para o cancelamento de duas agendas internacionais.

Na tarde desta quarta-feira (30), o presidente chileno anunciou que a Conferência do Clima da ONU, a COP-25, prevista para 2 a 13 de dezembro e o encontro da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), que reuniria líderes mundiais nos dias 16 e 17 de novembro foram cancelados com a justificativa de ordem pública.

A notícia foi dada um dia depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmar presença na Apec, o que provavelmente seria objeto de pressão do povo chileno.

Para o secretário do Meio Ambiente da CUT, Daniel Gaio, não é correto culpar o povo chileno pelo cancelamento das duas agendas,  como disse Piñera.  O povo tem razão em não aceitar o arrocho salarial e previdenciário, resistir e não aceitar as políticas neoliberais e “estamos solidários aos chilenos”.

 “Temos que, independentemente de ser maléfico o cancelamento da agenda sobre as negociações das mudanças climáticas e transição justa, ter ciência de que o mais importante hoje é a luta contra o avanço do neoliberalismo na América Latina. E a luta do povo chileno na defesa dos direitos e da soberania deve ser inspiração para ampliar a resistência na região”, afirmou.

Gaio disse que já há sinais da ONU para que a COP-25 aconteça em Madri, nos mesmos dias, de 2 a 13 de dezembro, e critica.

“As conferências do clima que são realizadas na América Latina tem como tradição uma forte mobilização e presença dos movimentos sociais, tanto nos espaços institucionais quanto nos eventos paralelos”, disse.

Para ele, tirar a COP-25 da América Latina e levar para Europa significa enfraquecer a participação dos movimentos sociais latino-americanos neste evento do clima, além de furar o rodízio tradicional da realização do evento entre os países.  A COP-26 já está agendada na Europa.

A Confederação Sindical Internacional (CSI), que representa 207 milhões de membros de 331 afiliadas em 163 países e territórios e também é reconhecida internacionalmente como International Trade Union Conderation (ITC), soltou uma nota sobre o cancelamento da COP-25 e da Apec no Chile nesta quinta-feira (31).

Para a entidade, o presidente do Chile pode cancelar as conferências globais sobre comércio e meio ambiente, mas também deve cancelar os ataques às pessoas, a violência perpetrada contra pessoas que se levantam contra a autoridade. E ele deve cancelar as medidas de austeridade que estão levando o povo do Chile ao desespero.

“Qualquer país deve assumir a responsabilidade por um salário mínimo, por aposentadorias em que as pessoas possam sobreviver e se aposentar com dignidade”, disse Sharan Burrow, secretária Geral da ITUC, em uma mensagem de solidariedade.

Na nota, a CSI afirma que os sindicatos no Chile apresentaram dez demandas ao governo, incluindo pedidos de salários e pensões mínimos, proteção efetiva dos direitos fundamentais das pessoas no trabalho e redução da semana de trabalho para no máximo 40 horas, o fortalecimento da negociação coletiva, o diálogo social e garanta o direito de greve.

“Esse modelo de economia falhou com os trabalhadores. Você não pode alimentar a riqueza do setor corporativo que é de apenas um por cento e deixar as pessoas em situação de pobreza em desespero. (...) O apelo dos sindicatos e do povo do Chile deve ser atendido. Os olhos do mundo continuam observando e a ITUC está sempre com você”, disse Burrow se referindo ao povo chileno.

Nota da CSI na íntegra:

Chile cancela o clima e as cúpulas da APEC enquanto as pessoas exigem o fim da austeridade

O governo do Chile anunciou que não sediará duas grandes cúpulas internacionais, pois enfrenta uma pressão crescente dos protestos em massa contra a austeridade. Finalmente, o governo cedeu aos apelos para que a cúpula comercial da APEC de novembro e a conferência climática da COP25 de dezembro da ONU sejam canceladas quando a comunidade internacional reagiu chocada com a brutal repressão dos manifestantes.

“Seu presidente pode cancelar conferências globais sobre comércio e meio ambiente com a APEC e as conferências da COP planejadas nas próximas semanas. Mas ele também deve cancelar os ataques às pessoas, a violência perpetrada contra pessoas que se levantam contra a autoridade. E ele deve cancelar as medidas de austeridade que estão levando o povo do Chile ao desespero. Qualquer país deve assumir a responsabilidade por um salário mínimo, por aposentadorias em que as pessoas possam sobreviver e se aposentar com dignidade ”, disse Sharan Burrow, Secretário Geral da ITUC, em uma mensagem de solidariedade.

Os sindicatos no Chile apresentaram dez demandas ao governo, incluindo pedidos de salários e pensões mínimos, proteção efetiva dos direitos fundamentais das pessoas no trabalho e redução da semana de trabalho para no máximo 40 horas. Apresentando soluções que comprovadamente tratam da desigualdade, os sindicatos pedem ao governo que fortaleça a negociação coletiva, construa o diálogo social e garanta o direito de greve.

“A decisão do presidente de cancelar a cúpula da COP25 mostra mais uma vez que a justiça social e a justiça climática estão profundamente conectadas. No ano passado, o governo Bolsonaro de extrema direita do Brasil renegou o compromisso de sediar a COP, e agora o presidente Piñera do Chile teve que cancelar como resultado direto da miséria e raiva causada por suas políticas regressivas. Outra chance para os governos interromperem a emergência climática foi perdida ”, disse Sharan Burrow.

Com o mais alto nível de desigualdade de todos os países da OCDE, a atual mobilização pública é a maior do país, mas de maneira alguma a primeira desde o final da ditadura de Pinochet, com grandes protestos ocorrendo em 2006, 2011 e 2013. Como cartaz filho do FMI e do Banco Mundial, o Chile colocou todos os recursos hídricos do país em mãos privadas, enquanto a privatização da educação, saúde e outros serviços vitais empobreceu ainda mais milhões de pessoas.

“Esse modelo de economia falhou com os trabalhadores. Você não pode alimentar a riqueza do setor corporativo e de um por cento e deixar as pessoas em situação de pobreza em desespero. (...) O apelo dos sindicatos e do povo do Chile deve ser atendido. Os olhos do mundo continuam observando e a ITUC está sempre com você ”, disse Burrow.

Com o aumento da raiva popular na América Latina, a região mais desigual do mundo, a ITUC tem apoiado suas afiliadas em todo o continente enquanto se opõem às políticas destrutivas de austeridade impostas pelos governos de direita. Mais recentemente, os sindicatos da Argentina foram centrais para a derrota do governo Macri e a eleição de Alberto Fernández.

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