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No Espírito Santo, trabalhadores da Samarco arrancam 14% de aumento e encerram greve

29/04/2012

Operários da Mendes Júnior retomaram atividades com compensação dos dias; na Vale, paralisação continua

Escrito por: Luiz Carvalho

 

Após dois dias de greve, os trabalhadores que atuam na expansão da mineradora Samarco, em Anchieta, Espírito Santo, decidiram em assembleia na última sexta-feira (27) retornar às atividades após a arrancarem 14% de aumento salarial antecipado e mais R$ 400 no cartão alimentação.


A proposta da empresa representa uma grande conquista, já que passa a servir de referência às negociações com a direção das outras duas grandes obras no Estado: a construção do Terminal Aquaviário de Barra do Riacho (TABR), em Aracruz, e da 8ª Usina da Vale, em Vitória.

Também na sexta os operários da construção do TABR também encerraram a paralisação que durava 33 dias e começou quando a Mendes Júnior, contratada pela Petrobrás, demitiu a comissão de negociação – inclusive com membros da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), com estabilidade garantida pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) – e recusou-se a receber a pauta de negociação.

Nesse caso, a proposta aprovada foi o abono de metade dos dias parados, que não havia passado pelo crivo da base. A partir de agora, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Espírito Santo (Sintraconst-ES) parte para a discussão da pauta econômica.

Dessa forma, apenas o pessoal da Vale mantém os braços cruzados. A expectativa do sindicato é que os valores aprovados na Samarco sejam adotados também pela direção dessa empresa. “Segunda vamos para a Vale colocar essa proposta em votação. Acreditamos que os empresários não terão como fugir desse patamar”, afirmou o presidente do Sintraconst-ES, Paulo Peres, o Carioca.

Com a Mendes Júnior é na borrachada
Enquanto o período de negociação no Espírito Santo reforça a capacidade de organização dos trabalhadores da construção civil, cada vez mais forte em todo país, também evidencia a falta de qualificação da direção de muitas empreiteiras em negociar.

Além da demissão ilegal e da recusa em negociar, a empresa que toca a obra de uma empresa estatal, portanto, com recursos públicos, é bom lembrar, ainda gerou um grande conflito no canteiro ao cortar o pagamento por conta do movimento paredista e suspender o pagamento do cartão alimentação. A situação torna-se ainda mais grave por conta da maior parte do quadro de funcionários ser formada por pessoas alojadas na região.

No dia 25, o Sintraconst convocou a categoria e informou que não havia ainda qualquer proposta da empresa diferente da que havia sido apresentada anteriormente. Diante disso, revoltados, os operários ingressaram no canteiro e iniciaram um quebra-quebra. Houve conflito com a polícia e durante a confusão seis pessoas foram presas, além de uma ferida por balas de borracha. Nenhuma policial saiu machucado.

Correu é culpado
Na ocasião, nossa reportagem questionou o tenente-coronel Hilton Borges, comandante da operação, se os trabalhadores teriam sido pegos em flagrante deteriorando o patrimônio da empresa. “Na nossa interpretação sim, porque quando recebemos a notícia de que havia um grupo incendiando o patrimônio da empresa, imediatamente algumas viaturas se deslocaram para o local e esse grupo se dispersou. Cinco integrantes desse grupo foram presos, então, eles devem ter participado da ação.”

Mas, não é só com a polícia que a relação é difícil na região. O poder Judiciário também cumpre o papel de criminalização dos movimentos sociais. No dia 18, o juiz relator do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região, Marcelo Manchila, determinou o bloqueio de R$ 50 mil da conta do Sintraconst-ES por conta da greve. Já no mesmo dia dos conflitos na Mendes, em audiência de conciliação, o mesmo magistrado definiu que o sindicato não poderia aproximar-se da empresa até o dia 2 de abril.

Dessa forma, a assembleia com o pessoal da Mendes teve de ocorrer em uma praça no centro de Aracruz

Dia do trabalhador vai ter assembleia – A postura da Justiça, com todos os seus braços, não enfraquece, porém, a disposição da categoria para a luta. O movimento deve ganhar ainda mais força no próximo dia 1º de Maio, quando o Sintraconst-ES promoverá uma grande assembleia da campanha salarial na Praça dos Namorados, em Vitória. 

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